15/12/2009

... uma equipa fantástica...

Sempre que me pediam para falar nos factores de sucesso da YDreams, havia um que eu sublinhava acima de todos: a equipa, o YDreams Team, os YDreamers. E quando me perguntavam que tipo de pessoas contratávamos, qual era o segredo para tão fantástica equipa, eu mostrava os seguintes vídeos/imagens, dizendo que ilustravam algumas das características essenciais necessárias para se ser um YDreamer.

http://www.youtube.com/watch?v=kl2tIFxSEGA

http://www.youtube.com/watch?v=SqpbMHc5XVU

As principais características, para além do know-how técnico da área em que se irão inserir, que sempre procurámos e tentámos estimular nas pessoas são:

- Superação

- Paixão

- Energia

- Capacidade para inspirar

- Responsabilidade

- Auto-estima

- Capacidade de concretização

- Espírito de aventura

- Tolerância ao fracasso

- Capacidade para delegar

- Saber lidar com o stress e a ambiguidade

Guy Kawasaky, no seu livro “The Art of the Start”, menciona a seguinte frase de Steve Jobs sobre a forma habitual como decorre o processo de recrutamento ao longo da vida duma instituição:

“A players hire A players, B players hire C players and C players hire D players”

Embora fiquemos sem saber quem contratou os Bs, o facto é que quando não se contrata com base em apertados critérios de excelência, corremos o risco de recrutar pessoas tipo B. A partir daí o descalabro é rápido...

Para vos dar uma ideia da qualidade das pessoas que constituem a YDreams posso dizer-vos que até chegarmos às 50 pessoas apenas fomos forçados a dispensar 2 ou 3 pessoas. E isto leva-nos a outro ponto crucial, a retenção, de que vos falarei num post futuro.

06/11/2009

Telecel – Onde você estiver, está lá

O primeiro projecto da YDreams (então Ideias Interactivas) foi o Canal Mapas da Telecel (hoje Vodafone). No início de 2000 reunimos com o Eng. António Carriço que nos informou do interesse da Telecel em ter um serviço de mapas cross-platform: telemóvel, PDA e Web. Pouco tempo depois, a nossa proposta foi a escolhida num concurso internacional. Montámos a equipa de 7 pessoas, iniciámos o projecto em Junho, a equipa foi crescendo, lançámos a versão Web em Setembro e as versões móveis em Outubro. Tudo desenvolvido from scratch, incluindo o levantamento e recolha dos dados para as cidades de Lisboa e Porto. A nossa primeira “loucura” de muitas que se seguiriam ;)

Em Janeiro de 2001, o Canal Mapas da Telecel foi classificado pela Motorola entre os 8 melhores do mundo, com 5 estrelas (apenas 8 serviços à escala mundial obtiveram esta classificação), entre mais de 60 serviços avaliados. No final da tabela encontrava-se a francesa Webraska, escolhida pouco tempo depois pela PORTUGUESA Galp para fornecedor de serviços de navegação do portal Fast... em detrimento da 100% portuguesa YDreams. É incrível o medo que os gestores locais têm de apostar em novas soluções em detrimento de outras mais estabelecidas, ainda que comprovadamente piores...

O estrondoso sucesso do projecto fez com que a Vodafone e a YDreams mantivessem até hoje uma estreita relação que conduziu a muitos projectos interessantes como o Vodafone Interactive Cube, Undercover, Action Store, entre diversos outros. Pode ser que ainda venha a escrever aqui sobre alguns deles. Muita gente nos disse que este era um empreendimento impossível, pelo volume de trabalho necessário, pela inovação de ter mapas em telemóveis e pelo curto tempo disponível para o desenvolvimento. Mas felizmente... nós não acreditamos em impossíveis...

Podem encontrar abaixo alguns screenshots das versões do Canal Mapas para PDA, telemóvel WAP e Web. Autênticas relíquias! lol!!

PDA


WAP











WEB

10/09/2009

Um PICNIC diferente...

Soube agora que o António (Câmara) vai ser “Featured Speaker” no PICNIC ’09, que se realiza em Amesterdão entre 23 e 25 deste mês. O PICNIC é um evento “cross-media” fantástico que junta artistas, criativos, tecnólogos, designers, universitários, professores, entre outros, num local com o seu quê de surreal (Westergasfabriek), para 3 dias plenos de discussão, inspiração, rebeldia, criatividade e divertimento.

Após ter participado em diversos painéis internacionais em eventos WorldTelemedia, para falar de LBS (Location-Based Services) e MMMOG (Mobile Massively Multiplayer Online Games), a Monique van Dusseldorp perguntou-me se queria participar no PICNIC ’07, numa sessão sobre novas formas de publicidade utilizando Realidade Aumentada. Adorei a experiência e fiquei impressionado com o impacto mediático que ela teve. Deu origem a um artigo na Economist onde a YDreams era apresentada como um dos players de referência mundial em Realidade Aumentada. Originou também um parceria de elevado potencial com o Brand Experience Lab. Um dos meus colegas de painel o David Polinchock, director da Brand Experience Lab, ficou muito entusiasmado com as nossas soluções e esse entusiasmo deu mais tarde origem a uma joint-venture, a Audience Entertainment , para exploração de produtos de interacção colectiva.

08/09/2009

A república dos Drs, ou o país do faz de conta

Há um hábito bem enraizado no nosso pais que muitas vezes conduz a diálogos patéticos e preocupantes: o tratamento das pessoas pelos seus (muitas vezes pretensos) títulos académicos.
Comecei, como provavelmente todos vós, a ter contacto com essa realidade quando fui para o ciclo (hoje os 5º e 6º anos) e passei a tratar os professores por “setores”. Mas vá lá, “setor” sempre é mais engraçado que “sotor” (como se diz na TV) ou Senhor Dr. E, pelo menos, nós éramos tratados por “tu” e pelos nossos nomes. Mas sempre me intriguei porque não devia continuar a chamar “professor” aos professores, coisa que felizmente pude voltar a fazer na universidade.

Se as pessoas têm nome, porque raio não podem ser tratadas simplesmente pelo seu nome? Mas há pior, há quem se trate apenas pelos pretensos títulos, omitindo o nome. “O Dr. está em reunião...” ou “Oh Dr., deixe-me dizer-lhe que não posso concordar totalmente consigo devido ao parecer do Dr.” (apontando para o lado) ou ainda “Dr., não me diga que o Dr. não o avisou que estaria todo o dia ocupado em reuniões??”. Digam-me lá se não é ridículo!! E, sobretudo preocupante...

Eu, aliás, até sempre gostei de chocar estas pessoas com uma simples comparação: “tivessem os nossos mundos empresarial, politico ou judicial a mesma qualidade do nosso futebol e nós estaríamos no TOP 10 da Europa”. Isto caía que nem uma bomba quando falava para altos quadros, e eu adorava ver as suas expressões mudarem da incredulidade à preocupação. Às vezes, no meio de reuniões apetece-me dizer a algumas pessoas: “mas afinal para quê tanta vaidade? Quem são vocês no contexto mundial? O que fizeram para ajudar o nosso país, para o desenvolver, para o tornar mais competitivo, para o tornar mais justo e equilibrado, para lhe dar uma imagem positiva e moderna, para o tornar num pais de campeões?” E ainda dizem que o Cristiano, o Mourinho ou o José Saramago são vaidosos... não são é falsos humildes, ou seja, não são hipócritas.

Felizmente, nas muitas centenas de contactos internacionais que mantive enquanto vice-presidente da YDreams, raramente me deparei com semelhante parolice. Em Espanha, por exemplo, era quase sempre recebido com um acolhedor “Hola Eduardo! Como estás?”, logo no primeiro contacto e independentemente do cargo do meu interlocutor. Reino Unido, Suécia, Finlândia, Holanda, Dinamarca, Itália, Estados Unidos são outros bons exemplos de ambientes despretensiosos, onde as pessoas valem pela sua carreira e resultados e não apenas por terem nascido filhos de alguém ou terem tirado um curso.

Não posso terminar este post sem vos dizer que conheci até hoje muita gente fantástica em Portugal, tão boa ou melhor que a maior parte dos estrangeiros com quem trabalhei. Mas esses sempre me trataram por... Eduardo.

29/06/2009

YDREAMS TEAM: The Beginning

YDreams Team alguns meses após a sua fundação em 6 de Junho de 2000. Da esquerda para a direita: Zé Miguel Remédio(founder), Nuno Correia (founder), Edmundo Nobre (founder), António Câmara (founder), António Lobo (designer), Sérgio Cardoso (gestor de conteúdos, gestor de projecto, editor gráfico, responsável pelas compras, animador, organizador de festas e fundador da casa do pessoal da YDreams. Hoje um dos pilares da YDreams Med, Barcelona. Que lindo visual tinhas Sérgio! ;) ), Antão Almada (programador especialista em realidade virtual e computação gráfica chegado directamente duma brilhante carreira nos EUA), João Paiva (editor de conteúdos), Nuno Farinha (programador), Tiago Fonseca (programador, hoje CTO), Maria Palma (secretária, hoje uma das responsáveis pela comunicação corporativa) e eu (founder e também com um visual… à época lol!). Grande equipa esta! Tudo parecia possível e o céu era o limite :)

24/06/2009

“Aim for the stars and maybe you can reach the moon”

Bom, voltemos ao período em que fazia o meu doutoramento inserido no fantástico GASA. Era incrível a mentalidade ganhadora que o António Câmara conseguira imprimir a todo o grupo. A elevada auto-confiança e auto-estima das pessoas, obviamente cimentadas em conhecimento, leva-as a pensar em grande, a não ter medo, a tentar atingir objectivos que outros consideram impossível. Era isso que acontecia no GASA. A investigação científica que lá se realizava era competitiva em qualquer parte do mundo. Verificávamos isso mesmo nas muitas visitas que fazíamos a laboratórios de topo nos EUA, Holanda, Alemanha ou Itália, entre outros países, ou na elevada aceitação dos nossos artigos científicos, publicados nas melhores revistas e conferencias internacionais.

Em termos estratégicos existem duas formas de conduzir o processo de investigação científica: seguindo uma aproximação incremental, obtendo pequenos avanços sobre trabalhos desenvolvidos anteriormente, de forma segura e organizada; ou tentando criar avanços disruptivos através de processos intensamente criativos, por vezes até algo caóticos e anárquicos, em que o risco de falhar é grande, mas a recompensa em caso de sucesso é enorme. O GASA seguia indubitavelmente a segunda estratégia, levando toda a equipa a pensar sem limites prévios, investigar sem preconceitos ou restrições, acreditar que é possível chegar a uma solução, questionar construtivamente os resultados obtidos e a estimular um nível de criatividade quase frenético. Foi, aliás, esta forma de estar que permitiu a conjugação de factores necessária à criação da YDreams seis anos mais tarde...

Há uma expressão em língua inglesa de que gosto muito: “Aim for the stars and maybe you can reach the moon”. No GASA, percebi o seu verdadeiro significado: a melhor forma de conseguir alcançar um determinado objectivo é, logo à partida, desenhar a estratégia para tentar ultrapassá-lo, ir ainda mais além. Ou seja, se logo de início nos contentarmos com resultados médios, muito provavelmente nunca os atingiremos e certamente nunca chegaremos sequer perto de objectivos verdadeiramente importantes... Não tenho dúvidas em afirmar que essa maneira de abordar a investigação científica teve uma influência decisiva na minha formação, tanto humana como científica, tanto na minha vida pessoal como profissional.

19/06/2009

Ultrapassa o teu Patamar de Conforto e... SUPERA-TE!!

Qual a importância do episódio do post anterior para este blog? Respondo-te com um exemplo desportivo. Quando o Cristiano Ronaldo dizia que iria ser o melhor jogador do mundo, muitos riam-se e desdenhavam, dizendo que ele só sabia agarrar-se à bola e fazer uma belas fintas e que era um grande vaidoso com a mania das grandezas. Ele poderia ter ficado no Sporting e ser a figura da equipa, um ídolo para alguns milhões de pessoas, uma estrela nacional, manter-se no seu patamar de conforto. O que fez ele? Rumou ao Manchester United com 17 anos e aceitou envergar a camisola número 7, a mesma dos míticos Beckham, Best e Cantona, verdadeiros heróis entre os adeptos do gigante de Manchester. Ninguém o conhecia. Hoje é o melhor do mundo e, aos 24 anos, ganhou praticamente todos os títulos individuais e colectivos que havia para ganhar. Acreditou em si próprio, trabalhou e lutou muito, arriscou, foi arrojado... venceu!

Há cerca de dois anos fui aconselhado pelo Dr. Manuel Passarinho a contratar sessões com um Personal Trainer, no ginásio que frequento, devido a um problema de costas que me começava a impedir de ter uma vida saudável, principalmente a nível desportivo. Lá iniciei as duras sessões de reforço abdominal e lombar, que aconselho vivamente a todos os que sofram de hérnia discal lombar, lesão muito corrente em ciclistas. Ao final de poucas sessões a Carla Rodrigues, minha PT e hoje também uma grande amiga, diz-me que como eu já estava a conseguir cumprir todo o plano de exercícios... teria de o alterar! Sim, depois de semanas a “sofrer” para conseguir fazer todos os exercícios “impossíveis” que me pedia, ia mudar o plano? Agora que até já nem me custava muito fazê-los! Pois, era precisamente esse o problema, tinha encontrado o meu patamar de conforto e para evoluir teria de ir mais além, voltar a desafiar os meus limites, procurar novo patamar. E foi subindo de patamar em patamar que hoje consigo fazer uma vida perfeitamente normal. Frequento todas as aulas de RPM ou Power Bike que me apetecer e voltei a praticar BTT. Se me tivesse habituado à situação, ou mantido o nível de treino inicial, continuaria a ter uma vida condicionada.

Os episódios que acabo de referir são importantes para ilustrar uma importante conclusão: embora todos nós tenhamos a tendência natural para prolongar uma situação em que nos sentimos confortáveis e manter um conjunto de rotinas que nos são familiares, para conseguirmos um salto disruptivo nas nossas vidas temos de sair dessa conjuntura. Respirar fundo e ir para alem do nosso patamar de conforto. Sem medos, sem complexos, sem ouvir os profetas da desgraça e, sobretudo, sem olhar para trás. Podemos tropeçar ou cair, mas se nunca tentarmos, estaremos condenados a uma existência medíocre e amargurada, a uma vida de lamentações e protestos, como se outros tivessem a obrigação imperativa de nos proporcionar uma vida melhor, mais interessante, mais vibrante.

E atenção! Isto aplica-se tanto a uma pessoa com espírito rebelde e empreendedor, que pretende desenhar ela própria a sua vida, sem usar borracha, como a alguém que tenha um emprego para a vida e que preze a estabilidade acima de tudo. Para ambos a vida será muito mais interessante, compensadora e produtiva se conseguirem ultrapassar os vários patamares de conforto em que se encontrarão em diversas etapas das suas vidas.